África
Mali
-
Ranking 2026
121/ 180
Nota: 45,63
Indicador político
106
40,23
Indicador econômico
86
41,35
Indicador legislativo
104
54,83
Indicador social
107
53,93
Indicador de segurança
150
37,80
Ranking 2025
119/ 180
Nota: 48,23
Indicador político
99
42,91
Indicador econômico
76
44,079
Indicador legislativo
106
55,33
Indicador social
95
59,06
Indicador de segurança
141
39,75

A insegurança causada pela ameaça terrorista, combinada com a instabilidade política, compromete o acesso dos jornalistas à informação. A libertação do jornalista francês Olivier Dubois, em 2023, após 711 dias de cativeiro, não significa que os riscos enfrentados pelos profissionais da imprensa no Mali tenham diminuído.

Cenário midiático

A queda do regime ditatorial de Moussa Traoré, em 1991, levou a uma verdadeira explosão no número de veículos de comunicação. O país possui agora cerca de 200 jornais, mais de 500 estações de rádio e várias dezenas de canais de televisão, incluindo regionais. Esses novos veículos de imprensa passaram a concorrer com a mídia estatal: a ORTM, no setor audiovisual, e o L’Essor, na imprensa escrita. Os programas e a cobertura midiática refletiam uma verdadeira diversidade de vozes no país até a suspensão definitiva dos veículos de comunicação franceses RFI e France 24, em abril de 2022. A rádio Mikado FM, criada em junho de 2015 pelas Nações Unidas e conduzida por jornalistas locais, fechou definitivamente as portas no final de novembro de 2023.

Contexto político

Em princípio, os jornalistas e os meios de comunicação são livres para cobrir temas relacionados à administração, e os veículos de comunicação privados são relativamente independentes. No entanto, os jornalistas estão particularmente vulneráveis diante do contexto político e do endurecimento imposto pela junta militar no poder. As pressões por uma “cobertura patriótica” da informação estão aumentando e os correspondentes estrangeiros se tornaram persona non grata. A Alta Autoridade para a Comunicação (HAC) e os meios de comunicação públicos são completamente subservientes às autoridades públicas, que podem exonerar seus gestores. A suspensão da Joliba TV, no fim de 2024, decidida pela HAC após uma denúncia feita pelo órgão equivalente em Burkina Faso, gera temores de um controle regionalizado da informação. A HAC, que reforçou a repressão no final de 2025, ao suspender várias emissoras de rádio e televisão após a veiculação de críticas às autoridades, também proibiu que os meios de comunicação cobrissem qualquer atividade política.

Quadro jurídico

A atividade midiática no Mali é regida pela Lei de Imprensa, que determina as condições para o exercício da profissão, embora seja vaga e não defina os crimes de imprensa nem contenha disposições sobre meios de comunicação digitais. Nos últimos anos, iniciou-se um processo de revisão desse arcabouço jurídico obsoleto. Os profissionais do setor esperam sobretudo por reformas que ponham fim às penas privativas de liberdade para delitos de imprensa, institucionalizem os subsídios públicos, melhorem o acesso à informação e regulamentem a identificação de jornalistas e veículos de comunicação profissionais. A mídia pública continua a ter acesso privilegiado às informações do Estado. A lei de crimes cibernéticos, que segue sendo objeto de debate no setor, foi usada para colocar um jornalista em prisão preventiva em novembro de 2025. 

Contexto económico

Os jornalistas e meios de comunicação do Mali vivem em condições muito precárias, o que os torna vulneráveis ao tráfico de influência e à corrupção. Essas dificuldades foram agravadas pela redução das receitas publicitárias devido à crise sanitária e pela cessação total, nos últimos três anos, dos subsídios governamentais à imprensa.

Contexto sociocultural

Os conflitos intercomunitários, o extremismo e a presença de grupos armados impedem o livre exercício do jornalismo, particularmente no norte e no centro do Mali. A imprensa é alvo de ataques com base em gênero, classe e etnia. Essas restrições socioculturais contribuem para a autocensura.

Segurança

Devido à presença de grupos armados e à insegurança, o trabalho fora da capital, Bamako, é extremamente arriscado para os jornalistas. Exemplo disso foi o sequestro do repórter francês Olivier Dubois em Gao: em abril de 2021,  ele foi levado pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM), afiliado à Al-Qaeda, sendo libertado apenas dois anos depois. O assassinato do jornalista Abdoul Aziz Djibrilla e o sequestro de dois de seus colegas, em novembro de 2023, confirmam os riscos que os jornalistas enfrentam no norte do país. O desaparecimento, em 2016, e provável morte do jornalista Birama Touré, em consequência de tortura nas prisões secretas da Segurança do Estado, é um lembrete de que métodos extremos para silenciar a imprensa ainda podem ser usados. A influência crescente do poder russo também teve consequências para o exercício da profissão: pelo menos dois jornalistas tiveram que deixar o país após reportagens sobre a presença do grupo Wagner no Mali.