Apesar da sua reputação como o país menos repressivo do Golfo, o emirado exerce um controle significativo sobre as notícias e a informação, intensificado durante o reinado do xeique Mishal al-Ahmad al-Sabah. Em 2026, essas medidas de controle foram ainda mais endurecidas após o início da guerra no Irã, visando os jornalistas que cobrem o conflito e suas consequências na região.
Cenário midiático
Os jornais Al Qabas, Al Jarida e Al Siyasa, tradicionais e pouco críticos ao governo, dominam o cenário midiático. Apesar do notável progresso em direção a uma maior democratização da imprensa por meio de podcasts como o Bidun Waraq e revistas digitais independentes como a Manshoor, o cenário continua dominado pela informação controlada pelo Estado.
Contexto político
O governo exerce forte controle sobre a informação e a liberdade de expressão continua limitada, embora vários membros da oposição no exílio tenham sido recentemente anistiados. No entanto, as autoridades já fecharam veículos de comunicação por causa de conteúdos considerados “antigovernamentais”, como foi o caso do canal Al-Watan, em 2015.
Quadro jurídico
Desde 2020, a lei sobre o direito de acesso à informação deveria proteger o trabalho dos jornalistas no Kuwait. Na prática, porém, o texto é enfraquecido por leis de censura que proíbem jornalistas, blogueiros e ativistas online de criticar o governo, o emir, a família governante, seus aliados ou a religião. O mesmo vale para a lei sobre crimes cibernéticos, que entrou em vigor em janeiro de 2016.
Contexto económico
A maioria das empresas de mídia do Kuwait pertence a famílias da elite econômica. A criação de um veículo de comunicação requer a obtenção de uma licença governamental, um processo caro e demorado. Os principais meios de comunicação funcionam como ferramentas de comunicação para o setor privado, com grandes somas pagas em troca de publicações.
Contexto sociocultural
Vários assuntos são tabu no Kuwait. É especialmente difícil para os jornalistas abordar questões como os direitos dos trabalhadores migrantes, os direitos das mulheres ou a corrupção.
Segurança
Embora o Kuwait não seja conhecido por assassinar ou prender jornalistas, alguns foram forçados ao exílio para evitar cumprir penas de prisão. Interrogatórios e detenções de curta duração têm um efeito dissuasivo sobre a liberdade de informação. Em 2026, o governo reforçou ainda mais o controle sobre os profissionais da mídia após o início da guerra no Irã e suas repercussões no país. Diretrizes oficiais proibiram qualquer cobertura do conflito, sob o pretexto de proteção da segurança nacional.