Américas
Honduras
-
Ranking 2026
132/ 180
Nota: 41,02
Indicador político
132
32,01
Indicador econômico
121
35,57
Indicador legislativo
131
45,70
Indicador social
130
45,62
Indicador de segurança
130
46,19
Ranking 2025
142/ 180
Nota: 38,51
Indicador político
142
30,22
Indicador econômico
149
31,38
Indicador legislativo
132
46,30
Indicador social
142
41,01
Indicador de segurança
137
43,62

A imprensa hondurenha opera em um contexto de violência e impunidade que alimenta a autocensura e aumenta os riscos ligados à cobertura da corrupção, do crime organizado e dos procedimentos eleitorais. A concentração da mídia e o uso de pressões institucionais, incluindo o assédio judicial, limitam o pluralismo e enfraquecem o direito à informação.

Cenário midiático

Em Honduras, a compra de grandes veículos por investidores estrangeiros e a aquisição de veículos locais por elites políticas e econômicas prejudicam o pluralismo. Os principais jornais do país são La Prensa, El Heraldo e La Tribuna. Paralelamente, um jornalismo investigativo digital se consolidou, mas está exposto à estigmatização, a pressões locais e ao assédio online. Na esfera local, as rádios e os veículos de comunicação comunitários operam com grande vulnerabilidade, devido à fragilidade econômica e à presença de indivíduos armados.

Contexto político

As eleições de 2025 e a transição de governo no início de 2026 ocorreram em um clima de forte polarização e contestação dos resultados. Durante esse período, houve alegações de interferência estrangeira, como o apoio público do presidente norte-americano, Donald Trump, a Nasry “Tito” Asfura, que assumiu a presidência em 27 de janeiro de 2026. Os jornalistas ainda encontram dificuldades semelhantes às enfrentadas em governos anteriores: discursos difamatórios por parte de políticos, restrições de acesso a fontes de informação e falta de proteção diante de ameaças.

Quadro jurídico

O nível de impunidade, em um país assolado pela violência do crime organizado e pela corrupção, é um dos mais altos do continente. Processos judiciais abusivos são instaurados com frequência contra jornalistas, e penas de prisão por difamação são comuns, por vezes acompanhadas da proibição de continuar exercendo a profissão. Adotado em 2020, o novo Código Penal contém artigos liberticidas, como os que criminalizam o direito de manifestação e reunião. A criminalização da difamação tem um efeito inibidor sobre investigações de interesse público, assim como as ações com o objetivo de obrigar que as fontes sejam reveladas.

Contexto económico

Honduras é um dos países mais desiguais da América Latina. A precariedade laboral e a fragilidade financeira limitam a sustentabilidade do jornalismo independente, sobretudo em âmbito local. A dependência de publicidade aumenta a vulnerabilidade editorial e favorece a autocensura. Embora alguns veículos independentes consigam levantar fundos graças a pequenos projetos de subvenção internacionais, a maioria atua em condições muito precárias.

Contexto sociocultural

O país passa por um período de polarização social, que se manifesta através de campanhas de estigmatização e de assédio online contra os profissionais da mídia. Jornalistas mulheres e jornalistas indígenas são particularmente afetados, com ataques de natureza sexista ou racista que, em alguns casos, atingem também seus familiares. Além disso, falta diversidade no debate público, em especial vozes femininas e comunitárias.

Segurança

Jornalistas e veículos de comunicação comunitários – sobretudo aqueles que cobrem narcotráfico, crime organizado, grandes projetos empresariais, polarização social e violência contra as mulheres – são submetidos regularmente a campanhas de assédio e intimidação; muitos deles são perseguidos, ameaçados de morte, agredidos e, às vezes, forçados ao exílio. Na maioria dos casos, os abusos e a violência contra a imprensa são cometidos pelas forças de segurança, sobretudo pela Polícia Militar e pelo Exército. O país dispõe de um mecanismo nacional de proteção, mas diante de suas limitações operacionais, os homicídios de jornalistas, as ameaças e os deslocamentos forçados persistem, em um contexto de impunidade que enfraquece o exercício do jornalismo.