Américas
Haiti
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Ranking 2026
107/ 180
Nota: 50,32
Indicador político
86
45,00
Indicador econômico
128
35,00
Indicador legislativo
79
62,43
Indicador social
68
64,07
Indicador de segurança
132
45,10
Ranking 2025
111/ 180
Nota: 51,061
Indicador político
82
48,58
Indicador econômico
112
37,03
Indicador legislativo
92
60,68
Indicador social
64
67,21
Indicador de segurança
139
41,80

Os jornalistas haitianos são vítimas de uma cruel falta de recursos financeiros, ausência de apoio institucional e dificuldade de acesso à informação. Encurralados entre uma onda de violência sem precedentes e uma profunda crise social, econômica e política, tornam-se alvo de gangues criminosas e são regularmente vítimas de ameaças, ataques, sequestros e assassinatos, com total impunidade.

Cenário midiático

O rádio é o meio de comunicação mais seguido no Haiti. Mais de 700 estações de rádio e televisão transmitem no território, mas apenas metade funciona legalmente, com licença da Conatel, órgão que regulamenta as comunicações. O maior grupo de mídia pública do Haiti é a empresa nacional de radiotelevisão RTNH. Diferente de outros países, o Haiti não possui grandes conglomerados midiáticos, mas existem grupos organizados ao redor de alguns veículos de alcance nacional: o grupo Le Nouvelliste (que inclui um jornal de mesmo nome, a Ticket Magazine e plataformas digitais) e o Le Nouveau Matin SA (que publica o Le Matin, a Spotlight Magazine e veículos digitais). A Caraïbes FM, que reúne sete rádios e dois canais de televisão, reflete a tendência das principais estações de rádio de criarem seus próprios canais de televisão. Com o desenvolvimento da internet, os meios online tiveram um crescimento significativo.

Contexto político

O Haiti vive há várias décadas uma profunda crise política e social. Após a destituição do primeiro-ministro Ariel Henry, em março de 2024, um conselho presidencial de transição foi instaurado com o objetivo de restabelecer a ordem e organizar eleições. Contudo, disputas internas têm dificultado esse processo. A violência das gangues se intensificou e elas agora controlam até 85% de Porto Príncipe, estendendo seus ataques para além da capital. Essa situação agravou a crise humanitária, com mais de 700 mil pessoas deslocadas e praticamente metade da população em segurança alimentar. Esforços internacionais, incluindo uma missão multinacional coordenada pelo Quênia, foram mobilizados para apoiar a polícia haitiana, mas os desafios persistem, devido à complexidade da crise e às tensões políticas internas. Nesse contexto, o estado de direito está gravemente enfraquecido e a liberdade de imprensa é constantemente ameaçada. Os jornalistas exercem sua atividade em um clima de extrema insegurança , sem garantias de proteção nem de justiça diante das violências das quais são vítimas.

Quadro jurídico

A Constituição haitiana garante a liberdade de imprensa, mas, na prática, os jornalistas enfrentam muitos obstáculos. Mesmo quando denunciam ameaças de morte credíveis às autoridades competentes, esses casos raramente progridem para além da apresentação de queixas, e os profissionais da mídia carecem de mecanismos legais eficazes que garantam sua segurança.

Contexto económico

Há quase um século, o Haiti é um dos países mais pobres do continente americano. Sua economia, baseada essencialmente na agricultura, é muito vulnerável a desastres climáticos. O país também é fortemente dependente da ajuda internacional e das remessas de fundos da diáspora. O jornalismo é uma das atividades mais mal remuneradas no país. Com exceção dos funcionários da mídia pública e alguns raros veículos de comunicação privados, os repórteres mal conseguem suprir suas necessidades alimentares básicas.

Contexto sociocultural

O Haiti é culturalmente rico (arte, música, dança, teatro etc.), e esse patrimônio serve como motor de desenvolvimento, oferecendo uma imagem positiva do país e atraindo turistas. A infraestrutura existente na ilha foi significativamente danificada por desastres naturais sucessivos.

Segurança

A segurança dos jornalistas no Haiti se deteriorou consideravelmente, tornando o país um dos mais perigosos do mundo para o exercício da profissão.  Os profissionais da mídia são alvo recorrente de gangues e frequentemente sofrem ameaças, agressões, sequestros e até assassinatos. Eles arriscam a vida, seja na cobertura de eventos seja nas próprias redações, que também são atacadas. Diante da ausência de um Estado de direito, essas violências são cometidas com total impunidade. À medida que as gangues expandem seu  controle sobre a capital, Porto Príncipe, os jornalistas se vêem cada vez mais confinados a alguns poucos bairros onde ainda conseguem trabalhar, não sem riscos. Muitos foram forçados ao exílio.