África
Comores
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Ranking 2026
72/ 180
Nota: 60,23
Indicador político
72
50,64
Indicador econômico
73
44,39
Indicador legislativo
81
61,36
Indicador social
79
62,26
Indicador de segurança
83
82,52
Ranking 2025
75/ 180
Nota: 59,27
Indicador político
75
50,25
Indicador econômico
67
47,13
Indicador legislativo
89
62,07
Indicador social
89
60,84
Indicador de segurança
94
76,08

Na União das Comores, a intimidação e a prisão de jornalistas ainda são comuns. Os períodos eleitorais são particularmente propícios a abusos contra os profissionais da informação.

Cenário midiático

O diário privado La Gazette des Comores e o jornal estatal Al Watwan são muito populares no arquipélago.  No entanto, grande parte das notícias circula online, principalmente nas redes sociais, onde há maior liberdade de expressão – o que pode levar à publicação de conteúdos que não atendem aos padrões jornalísticos. Considerado muito próximo do governo, o Office de Radio et Télé des Comores TV (ORTC-TV), único canal público, gratuito e nacional, tem grande audiência.  

Contexto político

Acostumados a controlar a mídia estatal, sucessivos governos nunca chegaram a um acordo quanto à liberdade de tom da mídia privada: censura, prisões de jornalistas e de blogueiros são comuns. Quando assumiu o cargo, em 2021, o ministro das Finanças ameaçou recorrer a “capangas” para “destroçar” jornalistas que o criticassem. Alguns meses antes, o coordenador de comunicação presidencial, um ex-jornalista muito conceituado, reconheceu a existência de uma “cultura política que precisaria ser radicalmente mudada”.

Quadro jurídico

Embora a liberdade de imprensa seja garantida pela Constituição de 2001, revisada em 2018, a autocensura continua a ser uma prática comum entre os jornalistas das Comores, devido às pesadas sanções por difamação. Um novo Código de Informação foi adotado em 2021, e uma comissão de ética jornalística foi criada. Em 2025, uma revisão do Código de Informação gerou muita preocupação, pois previa a possibilidade de obrigar jornalistas a revelarem suas fontes em “casos excepcionais”. No entanto, o artigo controverso acabou sendo rejeitado pelo Parlamento, após ampla mobilização do setor. Ainda em 2025, em um marco importante para a formalização da profissão, foram emitidas carteiras de imprensa para jornalistas pela primeira vez.

Contexto económico

Os meios de comunicação têm dificuldade em serem lucrativos, o que compromete sua independência. Os subsídios estatais são destinados principalmente à mídia pública próxima ao governo. Já os veículos privados muitas vezes enfrentam dificuldade para pagar seus jornalistas, o que contribui para a publicação de conteúdos partidários e remunerados, como publieditoriais.

Contexto sociocultural

Neste país muculmano, a influência de um certo conservadorismo religioso, especialmente sobre assuntos relacionados a sexo e prostituição, vem diminuindo gradualmente, e esses temas são cada vez mais debatidos na imprensa, com o apoio da opinião pública.

Segurança

Intimidação, agressão, detenção, ameaças, censura. Entre 2 e 6 de fevereiro de 2023, quatro jornalistas foram entrevistados pela brigada de investigação da polícia nacional, após serem acusados de “difamação e injúria” em denúncias apresentadas pelo ORTC contra um deles, e por um de seus dirigentes contra os outros três. Um representante sindical havia mencionado casos de violência sexual supostamente cometidos por um dirigente do ORTC contra jornalistas mulheres durante a apresentação das saudações do presidente das Comores à imprensa, em janeiro. Durante o julgamento por difamação, em agosto, eles receberam uma pena de nove meses de prisão condicional e uma multa de 300 euros. Diante da multiplicação, nos últimos anos, da detenção de jornalistas e blogueiros, o Sindicato Nacional dos Jornalistas das Comores denunciou a sistematização da prática conhecida como “noite na delegacia”.